Este é um extrato de um artigo do expresso que eu encontrei na net e decidi publicar aqui . Faz-me lembrar uma situação que se passou há uns anos atrás , quando eu andava no secundário . Como já referi aqui , colocaram-me numa turma de "alunos de elite" , que tinha de ser preparada para ir para medicina . No entanto , eu nunca desejei seguir uma carreira que tivesse a ver com isso e sempre fiz questão de afirmar a alto e a bom som , para quem quisesse ouvir , que não estava interessada em ser médica . E então um dia uma rapariguita virou-se para mim , com um ar quase de desafio , e perguntou :
Ela: "Se não queres ir para medicina , então porque é que estudas ?"
Ao que eu a calei :
Eu: "Sabes, é que eu não tenho nada a ver convosco . Enquanto voces se matam a estudar para tirar boas notas nos testes ou nos exames nacionais , eu estudo para saber mais , porque gosto de saber coisas novas e porque acho que o conhecimento não ocupa espaço"
E o extrato que se segue está muito relacionado com esta conversa . Com a mentalidade de um povo em que os resultados só se vêem nas notas e não nos conhecimentos adquiridos . Se estiverem interessados em ler o artigo na íntegra , é favor clicar aqui .
Num país com baixos índices de escolarização e altos níveis de iliteracia, os pais tendem a confundir a preparação, a cultura e o conhecimento dos seus filhos com as notas que eles têm em exames. Este "conhecidómetro" instantâneo transformou-se no alfa e no ómega do nosso sistema educativo. Pouco interessa o que realmente se aprende na escola e qual a utilidade do que se aprende para o desenvolvimento intelectual, cultural, técnico e emocional (desculpem, "emocional" não, que é "eduquês") da criança (desculpem, "criança" não, que é "piegas") e do adolescente. A escola tem apenas uma função: preparar para os exames.Um pai um pouco mais exigente, que tente acompanhar os estudos do seu filho, depara-se sempre com a mesma avassaladora e pragmática resposta: "pai, isso não me interessa, não sai no teste"; "mãe, não é assim que está no livro". A nossa escola promove duas coisas: a completa ausência de sentido crítico e a capacidade de memorização. Não desprezo a segunda, muitíssimo longe disso. Mas, se não me levarem a mal, não chega.Na escola portuguesa também se despreza cada vez mais a capacidade de desenvolver projetos, em grupo ou individualmente, promove-se pouco o desejo de ir mais longe do que é debitado nas aulas e dá-se muito pouco valor à expressão oral. Depois de centenas de exames, um aluno com excelentes notas pode acabar a escola sem saber desenvolver oralmente uma ideia e sem conseguir argumentar num debate. Porque o essencial da avaliação é feita através de provas escritas, sem consulta, e iguais para todos.Compreende-se esta opção: é aquela que melhor serve o raciocínio do burocrata. E para o burocrata a exigência não se mede por o gosto por aprender (ui, o que eu fui escrever!) e pelo desenvolvimento de capacidades que são forçosamente diferentes, de pessoa para pessoa. O burocrata abomina, pela sua natureza, as variações que lhe estragam os gráficos.Os testes e exames não servem para avaliar o que se aprendeu nas aulas e fora delas, as aulas é que servem para os alunos se prepararem para os testes e exames. E avaliados de uma forma que, com raríssimas exceções, nunca mais vão voltar a experimentar na sua vida. Nunca mais, em toda a minha vida, me tive de sentar numa secretária e despejar por escrito o que, como a esmagadora maioria dos alunos, tinha decorado uns dias antes.(...)A escola, como uma fábrica de salsichas, é o sonho do ministro contabilista, do professor sem vocação e do pai sem paciência. Não vale a pena é enganar as pessoas: não se traduz em qualquer tipo de "exigência" (uma palavra com poderes mágicos, capaz de, só por ser dita, transformar a EB 2 3 de Alguidares de Baixo no Winchester College) nem em mais qualificação profissional e humana dos jovens portugueses. Os países que conseguiram dar à Escola Pública essa capacidade seguiram o caminho oposto.


2 comentários:
uma vez viraram-se para mim: Porque te dás ao trabalho de decorares mais de 100 capitais e as bandeiras dos países e de saberes coisas que não interessam para nada
respostas: Porque gosto de saber que oslo não é apelido de nenhuma famoso de hollywood e que o botão é um pais e não um acessório de moda e que se me disserem que vão para apia eu saber que sim existem umas ilhas chamadas samoa cuja capital é apia e não andar a inventar fonemas novos. ;P
Ai ai eu orgulho-me de saber as coisas meses e anos depois de dar dada matéria mesmo que não tenha sido a melhor nesse teste.
Bem, adorei! Está tudo muito bem dito!
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